O poder da internet: força essencialmente coletiva

22 de Janeiro de 2012 em Internet

Em 2011 tivemos uma clara demonstração do poder que o compartilhamento de informações pela internet possui. As revoltas no mundo árabe e seu uso da internet, principalmente das redes sociais, possibilitaram um redimensionamento da questão do poder das mídias. Quando assistimos a primeira guerra do Iraque pela televisão, em que o controle da informação estava inteiramente nas mãos das principais agências de notícias, ainda não tínhamos ideia de como seria possível, não somente informar, mas também usar o veículo de mídia como estratégia de combate. Em 2012 já iniciamos o ano com algumas demonstrações do que é possível fazer se utilizando destas forças coletivas apoiadas na internet.

Uma delas vem do Ceará, estado que passou alguns dias sobre uma tensão provocada pela greve dos políciais militares. Mesmo que não se possa dar veradicidade a alguns fatos, a rede social Facebook foi o principal canal de atualização de informações sobre o que estava acontecendo na cidade, que não poderia ficar esperando os poucos e pontuais discursos jornalísticos, principalmente das mídias impressa e televisionada. As pessoas precisavam saber o que estava acontecendo em tempo real e em todas os locais, e utilizaram o Facebook e o Youtube para compartilhar suas informações. Além do sentido informativo, a própria ironização do fato, seu lado humorístico e as reações políticas ocorriam num curtíssimo intervalo de tempo, não sobrando nem piadas, nem discussões para se expressar em charges, artigos e programas de outras mídias. Se a televisão, o rádio e os jornais impressos tradicionais ainda respondem pela credibilidade, já perdem largamente em diversidade e volume de informação e entretenimento.

Um outro caso interessante para ser analisado, agora do Rio Grande do Norte, apesar de não ser o único, nem tampouco o maior, foi o da garota “Luíza do Canadá” que atraiu a atenção de muitos olhares, inclusive o da imprensa tradicional. Para além da questão que diversos analistas fazem sobre a significância da informação, o que se observa é o poder de direcionamento dos assuntos que as redes sociais possuem. Quem imaginava, há algum tempo, que mesmo os jornais televisivos mais tradicionais fossem dar destaque, seja ele em qual tom fosse, a fatos tão pouco expressivos ou que não fossem gerados a partir de sua própria programação. Há uma séria provocação por trás disso: a internet, mais do que fornecer, passa a gerar informação para a mídia tradicional, que se vê obrigada a incluir em sua pauta e em seus editoriais, um conteúdo que possui um dinamismo muito mais intenso do que ela já foi capaz de experimentar.

 

“Os brasileiros se tornaram perfeitos idiotas”, diz Carlos Nascimento sobre “BBB” e Luíza

“Ou todos os problemas do Brasil foram resolvidos ou nos tornamos perfeitos idiotas. Como pode dois assuntos tão fúteis terem tanta importância?” Essa foi a frase dita ao vivo por Carlos Nascimento na abertura do jornal do “Jornal do SBT”, na última quinta-feira (19).

O jornalista se referiu ao suposto caso de estupro do “Big Brother Brasil 12″ discutido na mídia na última semana, e também a célebre frase: “Menos Luíza, que está no Canadá”, estopim da Internet.

Na última semana, Neide Medeiros, âncora do jornal “SBT Brasília”, também manifestou sua opinião no ar depois de uma declaração dada pelo Secretário de Obras de Luiziânia, que criticou a imprensa.

Fonte: A Crítica

 

A mais importante demonstração deste poder, no entanto, deve vir a se concretizar na luta contra o projeto de lei norte-americano denominado SOPA, de grande impacto na liberdade de uso da internet. A censura da internet, materializada neste projeto, apresenta certo recuo depois que uma grande mobilização mundial foi feita para barrá-lo. Entraram em cena pessoas mais e menos populares, organizações grandes e pequenas posicionando-se contra a censura da internet. Para isso foi necessário até tirar do ar temporariamente seus sites, blogs, redes sociais, para que se desse destaque ao fato que a maioria das pessoas não conhece e ainda não entende. O movimento ocorre na mesma semana em que o mais conhecido site de hospedagem anônima de arquivos foi tirado do ar pelas autoridades norte-americanas. Em resposta a esta ação os integrantes do grupo Anonymous atacaram diversos sites, principalmente ligados à Universal Music.

 

Megaupload: hackers atacam site de Paula Fernandes em protesto

“(…)

Em resposta ao fechamento do Megaupload, o grupo de hackers Anonymous bloqueou temporariamente o site do Departamento de Justiça e o da produtora Universal Music, entre outros na noite de 19 de janeiro. De acordo com os hackers, foi o maior ataque já promovido pelo grupo, com mais de 5 mil pessoas ajudando.

O anúncio do fechamento do Megaupload ocorreu em meio a uma polêmica nos Estados Unidos sobre uma proposta de lei antipirataria, o Sopa, que corre na Câmara dos Representante, e o Pipa, que é debatido no Senado, contra as quais se manifestou, entre muitos outros, o site Wikipédia, interrompendo seu acesso no dia 18 de janeiro e o Google mascarando seu logo. O protesto foi chamado de apagão ou blecaute pelos manifestantes.”

Fonte: Portal Terra

 

Ficará mais evidente daqui há alguns anos, o quanto estas demonstrações de poder são importantes para consolidar o uso de novas mídias, e o quanto nossa sociedade precisará qualificar esta utilização a fim de realizar um equilíbrio de forças entre as mídias digitais e as tradicionais. Se já fizemos isso no passado, com mídias alternativas como faixas, folhetos, fanzines e muros, precisamos dominar como fazer nas postagens eletrônicas de sites, blogs, fóruns e redes sociais.

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