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BitTorrent: a força do compartilhamento P2P

Recentemente os EUA indiciaram criminalmente Artem Vaulin, ucraniano de 30 anos, que é apontado como fundador do Kickass Torrent e principal mantenedor do 2º site mais conhecido do ramo de compartilhamento de arquivos. A tecnologia BitTorrent (em português “torrente de bits”) é dos mais populares recursos usados para a troca de conteúdos digitais na internet, e tem atraído ininterruptamente a atenção dos órgãos de policiamento da pirataria na rede. Mas se você ainda está com dúvida acerca de como esse outros casos polêmicos envolvendo o BitTorrent surgem nós vamos dar uma ajudinha.

Download via BitTorrent

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O BitTorrent é um protocolo Peer-To-Peer (P2P) que surgiu em resposta a sobrecarga dos servidores de download direto usando “http” ou “ftp” e como um aprimoramento do anonimato na troca de conteúdo online. Em vez de todos os interessados baixarem arquivos de um único servidor, tornando sua disponibilidade mais penosa e expondo-o facilmente a acusações de pirataria, os usuários de BitTorrent são ao mesmo tempo “clientes” e “servidores”, desafogando o tráfego direto e descentralizando a responsabilidade pelo conteúdo compartilhado. O cliente que efetua o download, na medida em que pega os “pedaços” de seu arquivo, torna-se também “doador” deles para os demais interessados. Como numa ciranda, cada parte do arquivo vai sendo distribuído fora de ordem até que, no final, cada usuário possa obter o arquivo completo.

“Indexers” e “Trackers”

Para que seja possível descobrir quem está com qual pedaço dos arquivos, a rede BitTorrent necessita dos “indexers” (indexador), que auxiliam na busca por conteúdos de forma organizada. Eles possuem mecanismos de pesquisa que permitem encontrar arquivos no formato “.torrent”, arquivos muito leves contendo apenas as informações básicas e a estrutura das pastas e arquivos que serão adquiridos. Eles também podem distribuir os “magnet links”, endereços que realizam a mesma tarefa sem a necessidade de baixar arquivos “.torrent”. Para efetivamente dar início ao seu download basta abri-los (“.torrent” ou magnet links) em qualquer um dos inúmeros programas disponíveis para essa tarefa, como o uTorrent, Azureus, Transmission, Deluge etc.

Assim que o download é iniciado, a operação de busca refinada dos computadores que disponibilizam os arquivos, é realizada pelos “trackers” (rastreadores), servidores capazes de orientar as máquinas para que saibam onde está cada um dos pedaços a serem coletados. Esse é o verdadeiro diferencial desse tipo de tecnologia, onde o mais importante é a capacidade de agenciar a distribuição, sem o envolvimento direto com o conteúdo compartilhado.

A perseguição aos Indexadores de BitTorrent

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O Kickass Torrent é um dos maiores indexadores de BitTorrent, atrás apenas do também mundialmente perseguido The Pirate Bay (TPB). Várias ações judiciais, principalmente impulsionadas por grandes produtoras e distribuidoras de conteúdos como filmes, músicas e softwares, fizeram com que ele fosse tirado do ar pelo governo dos EUA. Essas entidades alegam prejuízos no consumo de seus serviços e na venda de seus produtos e implementam altos investimentos na identificação dos nomes por trás das ferramentas de compartilhamento. Mas poucas horas após a queda, foi erguida uma cópia (espelho) do Kickass Torrent que disponibiliza boa parte de seu conteúdo em outro servidor. E até o autor da façanha foi o mesmo, IsoHunt, outro grande indexador do ramo. Para fugir das ações judiciais e, consequentemente da prisão, os donos desses sites registram cópias com domínios alterados e em países diferentes.

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Os diversos usos da tecnologia

Apesar das polêmicas, e de já ter 15 anos de idade, o BitTorrent só tende a crescer. A mais recente implementação do TPB é uma demonstração clara disso: a função “stream it”  disponibiliza filmes para exibição online através do compartilhamento entre os usuários. A mesma tecnologia já está embutida no Popcorn Time Online, o mais famoso aplicativo de exibição “não autorizada” de filmes

Mas essa versatilidade do BitTorrent não está restrita ao entretenimento, pois ela também muito usado por grandes corporações para distribuir grandes arquivos sem comprometer o tráfego direto. Desse modo governos, distribuidoras de sistemas operacionais Linux, servidores de games, instituições de pesquisa e acadêmicas recorrem a esse protocolo para baratear os custos e aumentar a capacidade total de tráfego.

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Nerdologia exclusivo de História

Para quem vem acompanhando a evolução do canal sabe que sempre rolou um pouco de cada ciência no Nerdologia. Mas agora o Átila Iamarino (biólogo, pesquisador, tararátarará…) ganhou um reforço que busca intensificar as análises dos fatos históricos. Estreou, nesse último mês de maio, uma série de episódios específicos de História comandados por Filipe Figueiredo, autor do site Xadrez Verbal e colunista dos sites Opera Mundi e Brasil Post. Essa novidade amplia a capacidade de produção do canal, que passa a lançar vídeos duas vezes por semana: às terças (Nerdologia História) e quintas (Nerdologia).

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Nerdologia História – Episódio 138

O canal Nerdologia, com mais de 1 milhão e 400 mil inscritos, se consagrou nos últimos dois anos como um importante veículo de aprendizagem, democratização do acesso à informação e divulgação da ciência. Seu sucesso pega carona no avanço da produção audiovisual do Youtube voltada para o universo nerd/geek, com destaque para o trabalho da produtora de vídeo Amazing Pixel que, entre muitos outros, assina a produção do canal Jovem Nerd (mais de 1 milhão e 600 mil inscritos).

Essa dinâmica da expansão do canal Nerdologia demonstra a força da popularização do conteúdo científico no Brasil, mas também afirma o importante papel do Youtube na ampliação da qualidade técnica do entretenimento digital.

Open365: o LibreOffice das Nuvens

Há uma semana entrou em fase beta o serviço Open365, que possibilita a edição de textos online através de uma versão do Libreoffice portado para páginas de internet. Desenvolvido pela EyeOS o serviço conta com toda a suite de aplicativos muito conhecidos no universo do software livre: Writer, Calc e Impress; com interface totalmente integrada ao navegador web. Para usar o recurso basta criar uma conta no site https://cloud.open365.io e de quebra levar 20 gigas de espaço na nuvem para armazenar, compartilhar e abrir seus documentos em diversos formatos: odt, odp, ods, docx, xlsx, pptx etc. O serviço busca ser uma alternativa poderosa ao Office365, Google Drive e Zoho e conta com software a ser instalado nos Desktops (Linux, Windows e Mac), além de um aplicativo para o Android e logo em breve para iOS. Por enquanto há pouca informação sobre os planos da EyeOS para o futuro mas essa já é uma oferta sensacional de portabilidade: com ela você poderá abrir seus open documents em qualquer computador com internet. Confira abaixo uma demonstração:

Fiquem com a dica e compartilhem a novidade.

Fontes:

http://www.adslzone.net/2016/04/25/open365-una-alternativa-libre-gratuita-microsoft-office-365/
http://lifehacker.com/open365-is-an-open-source-alternative-to-microsoft-offi-1772845018

Jide corrige violação de licenças livres no Remix OS

Recentemente a Jide Technology foi acusada de desreipeitar as licenças GPL e Apache com seu Remix OS e, em resposta, ela veio a público anunciar que estaria trabalhando na correção desse problema. A denúncia foi movida por usuários experientes que, ao ver o software de implantação do sistema nos pendrives encontrou uma semelhança incrível com o Unetbootin. Outra violação foi não fazer as devidas referências e a liberação dos códigos do projeto Android-x86, esse sob licença Apache e, claro, do kernel Linux, pois o Android é baseado no sistema do pinguim, que está sob GPL. Agora, a Jide veio a público novamente com explicações sobre o ocorrido e algumas desculpas inacreditáveis sobre o erro. Mas segundo algumas fontes a nova versão, do dia 23 de janeiro de 2016, já traz as devidas alterações. Vamos conferir!

O texto inicial da Base Nacional Comum Curricular

Este é um ano muito importante para a educação brasileira e mal ele começou também já recomeçaram os debates em torno da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Agora, em um outro nível, já observamos uma parte dos discursos adentrar a grande mídia, que até então se resumia a anunciar os prazos e, no máximo, apresentar elementos da estrutura de produção do documento. Para auxiliar no fortalecimento do debate, Professorvirtual.org reuniu alguns aspectos introdutórios revelados no texto inicial do documento.

Sobre a versão atual

A busca pela melhoria da educação no Brasil passa por um momento muito peculiar. Estamos com quase 20 anos de LDB e, em 2015, demos início ao desafio de definir, de forma mais precisa, o que chamamos de Base Nacional Comum. Lembremos que na Lei 9.394 ela está diposta da seguinte forma:

Art. 26º.
Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.

Mas quem dera fosse tão fácil encontrar a sintonia necessária entre os indivíduos e grupos sociais para concordarmos sobre que conhecimentos e procedimentos educativos devem figurar como base dos currículos escolares de todo o país. Desse modo o MEC e entidades interessadas vem desenvolvendo uma série de discussões sobre a iniciativa de erguer, na forma de um documento orientador a Base Nacional Comum Curricular. No último mês de setembro, finalmente, foi apresentada à sociedade uma versão inicial da Base construída a partir do esforço de 116 especialistas de 35 universidades coordenados pelo MEC. Atualmente, as Secretarias Estaduais e Municipais estão em plena mobilização pela expansão do debate aos atores escolares e às entidades interessadas.

O que muda frente às demais legislações: direitos e objetivos

Já há alguns anos a legislação educacional buscou oferecer contornos precisos às referências curriculares presentes no texto da LDB e, recentemente, tem tido, principalmente, a forma de diretrizes curriculares nacionais. Esses documentos, no entanto, ainda não dão forma aos eventos, procedimentos e conhecimentos que devem ser referência para a evolução dos estudos ao longo da vida escolar. Os princípios e conceituais já presentes em outros documentos são reafirmados nos textos de apresentação da própria Base e em cada área ou componente curricular, mas o ponto alto da base está na definição de direitos e objetivos de aprendizagem.

A construção dos direitos e objetivos de aprendizagem está disposta no Plano Nacional de Educação-PNE em pelo menos 3 metas (2,3 e 7) a serem alcançadas entre 2015 e 2016. Eles são a referência para a ideia de progresso na educação básica nacional como se vê na Meta 2:

2.1 – Direitos de aprendizagem

O Ministério da Educação, em articulação e colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, deverá, até o final do 2º (segundo) ano de vigência deste PNE, elaborar e encaminhar ao Conselho Nacional de Educação, precedida de consulta pública nacional, proposta de direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para os(as) alunos(as) do ensino fundamental

Integrar a noção de direito com a de objetivo é que parece não ser tarefa fácil. O direito de aprendizagem busca colocar a educação como uma experiência a ser vivida e atendida principalmente sob a ótica das condições que ofertamos para que ele se efetive. Os objetivos se colocam como aquilo que se espera dos alunos, para que estejam aprendendo de acordo com o que está programado, inclusive para cada nível ou etapa da vida escolar. Direitos e objetivos, desse modo, apesar de estarem apresentados como complementares, podem encerrar visões parciais ou isoladas sobre o que a Base Nacional Comum Curricular busca garantir.

Estrutura da Base e Organização dos Objetivos de Aprendizagem

A Base, até o presente momento, possui textos que introduzem princípios, discutem propostas de organização e anunciam os direitos de aprendizagem no âmbito de cada nível de ensino, área e disciplina. Quanto aos objetivos de aprendizagem são organizados numa estrutura que busca a uniformidade, mas cada disciplina apresenta leves variações. Vejamos por exemplo o que está expresso no próprio código de cada objetivo:

CH-ER-9F-OA-012

CH – Ciências Humanas
ER= Ensino Religioso
9F = 9º Ano do Ensino Fundamental
012 – Ordem do objetivo a partir da série ou ciclo

O referencial desse código é alterado apenas nas disciplinas de Educação Física e Artes. Ambas tem seus objetivos organizados por ciclos, mas elas possuem ciclos diferentes. Enquanto a Educação Física possui 5 ciclos, a disciplina de Artes só possui 3:

Educação Física:

1º Ciclo = 1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental
2º Ciclo = 4º e 5º anos do Ensino Fundamental
3º Ciclo = 6º e 7º anos do Ensino Fundamental
4º Ciclo = 8º e 9º anos do Ensino Fundamental
5º Ciclo = 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio

Artes:

1º Ciclo = Do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental
2º Ciclo = Do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental
3º Ciclo = Da 1ª a 3ª série do Ensino Médio

Os objetivos também não estão plenamente unificados quanto ao conjunto de referências nos quais estão contidos. Apesar de todos possuírem eixos, os objetivos da Educação Infantil não possuem etapas ou áreas de conhecimento. Um outro detalhe é que a área de Ciências da Natureza é a única cujos objetivos também estão organizados em Unidades de Conhecimento (UC), que estão entre a área e o objetivo.

Participação da Sociedade

Captura de tela de 2015-11-26 22:46:39

Para que um processo como esse tenha validade é necessário envolver o máximo de interessados o que vem sendo um ponto de atenção relatado por alguns representantes de entidades interessadas. Alguns dos principais, até o momento, foram produzidos pelo Movimento pela Base, que produziu uma série de observações consolidadas como Leitura Crítica BNC, cuja análise serviu de base para o texto publicado no Estadão, de autoria de duas representantes do movimento. Outros pontos vem sendo divulgados na mídia, como as apresentadas pela ANPUH-Rio em uma carta direcionada ao MEC. Mas ainda não muito poucas para a dimensão do docuemento.

Mas qualquer cidadão, individualmente ou de forma coletiva, pode contribuir nas instâncias destas entidades ou acessando diretamente o site da Base e inserindo suas sugestões, comentários e críticas em cada um dos pontos do texto divulgado até 15 de março de 2016. Atualmente a versão apresentada no site é do dia 25 de Outbro de 2015 e possui navegação focada no reconehcimento, principalmente, dos objetivos de aprendizagem. A contribuição, no entanto, depende de cadastro e esse, determina sobre quais componentes o cidadão poderá opinar. Por isso, escolha uma ou mais disciplinas em seu cadastro caso queira fazer uma contribuição mais geral ao documento.

Consulta aos objetivos de aprendizagem da Base pelo Educadata.org

Captura de tela de 2015-11-26 22:45:07

No intuito de democratizar ainda mais o acesso aos objetivos de aprendizagem, para que a sociedade possa preparar melhor suas contribuições o site Educadata.org preparou um ambiente de fácil acesso e uso com todos os objetivos contidos no site oficial da Base. Confira:

http://educadata.org/bnc-objetivos-de-aprendizagem/

A ferramenta ainda permite comentários específicos do visitantes para cada objetivo e, mediante  cadastro, o usuário pode selecionar os objetivos que lhe interessam para consulta rápida e a qualquer momento. Mais a frente esses objetivos serão de fundamental importância para a comparação com a versão final da Base e para o desenvolvimento de outras ações e recursos do próprio site Educadata.org.

Vale a pena conhecer mais

Após esse pequeno resgate é recomendado, principalmente para quem é professor, mas também para quem é aluno, pai, estudante universitário, empresário etc., que faça uma consulta ao que mais lhe interessa nesse processo. Logo estaremos diante de discussões mais acalouradas e será muito imporante um esclarecimento mais aprofundamento sobre o que é, o que pretende e o que contém a Base Nacional Comum Curricular brasileira.

Remix OS 2.0 no HD Interno (Dual Boot)

Logo que foi lançado, o Remix OS adquiriu muitos novos usúarios, mas todos devem ter se perguntado por que não era possível instalar esse sistema no HD interno, podendo assim aumentar sua capacidade (vejam a imagem abaixo) e instalá-lo paralalamente a outros sistemas, o que é conhecido como “dual boot”.

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Não encontrei um pronunciamento oficial da desenvolvedora sobre isso, mas resolvi testar a dica que mencionei no primeiro post sobre esse sistema. A dica funcionou e, agora, se você não quiser acessar a dica original clicando aqui, pode seguir os meus passos:

1. Como Root, crie uma pasta no diretório raiz do seu Linux com o nome “remixos” (vou seguir exatamente como recomendado na dica original)

2. Extraia da imagem baixada (ISO) os seguintes arquivos e coloque-os na pasta criada:

  • initrd.img
  • kernel
  • ramdisk.img
  • system.img

3. Crie uma pasta com o nome “data” no diretório “remixos” (/remixos/data)

4. Configure o GRUB para mostrar a opção Remix OS na inicialização:

a) Abra um arquivo de configuração do GRUB usando o seguinte comando no terminal (vai solicitar sua senha de Root):

gksudo gedit /etc/grub.d/40_custom

b) E adicione no final dele o seguinte código:

menuentry 'Remix OS' --class android-x86 {
        insmod part_gpt
        search --file --no-floppy --set=root /remix/system.img
        linux /remix/kernel root=/dev/ram0 androidboot.hardware=remix_x86_64 androidboot.selinux=permissive CMDLINE
        initrd /remix/initrd.img
}

5. Salve o arquivo e atualize o GRUB com o comando:

sudo update-grub

Atenção: O comando “update-grub” é bem criterios e vai avisar se houver algum erro na configuração do arquivo. Se houver erro não prossiga, confira se realmente você seguiu o passo 4 corretamente (veja se você copiou e colou o código inteiro). Caso o erro persista refaça o passo 4 apagando o código que você incluiu nele.

Agora você já pode reiniciar seu computador e conferir a nova opção de boot: “Remix OS”.

E com o Windows, é possível?

Caso você tenha um Linux e um Windows no seu computador a nossa dica serve, mas se você tiver apenas um Windows deve seguir dicas como a que está detalhada no tutorial abaixo:

http://www.techdroider.com/2016/01/guide-how-to-dual-boot-remix-os.html

Até a próxima!

 

Remix OS: da expectativa à experiência

Nesta semana começou a ser compartilhado o sistema que pode ser o primeiro grande sucesso do Android em desktops: o Remix OS 2.0. A adaptação feita pela chinesa Jide Technology já é utilizada no Remix Mini, um computador de baixo custo (em torno de R$ 600,00 no Mercado Livre) lançado em 2015 e faz parte de uma evolução natural dos esforços do grupo de ex-engenheiros da Google, criadores do tablet Star Jide Remix. Como prometido na CES 2016 a empresa disponibilizou o sistema gratuitamente no dia 12 de janeiro, que agora pode ser instalado em um pendrive ou HD portátil e usado nos computadores via USB. A expectativa gerada pelo lançamento contagiou os especialistas no assunto e os usuários aventureiros que viram, principalmente, a possibilidade de reutilizar computadores mais antigos, devido ao trabalho de otimização do sistema para recursos mais modestos. Agora, poucos dias após seu lançamento, muitas dúvidas se espalharam sobre as possibilidades de instalação, uso e configuração do sistema, das quais selecionamos algumas para detalhar melhor.

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Nova fase para os desktops

A adaptação do sistema Android para computadores já é testada há algum tempo tendo como base projetos como Android-x86 e Chrome OS. O primeiro, de um grupo independente, disponibiliza atualizações do Android com instalação facilitada similar a dos sistemas Linux. O segundo, da Google, vem instalado em muitos dispositivos, mas principalmente no mini pc da empresa: Chromebook. Aproveitando o desenvolvimento do Android-x86 o Remix OS busca ser o que o que o Chrome OS não conseguiu: um sistema operacional para PC. Nesse aspecto, ele parece ser bem mais promissor que o sistema da Google. Mas por que esse tipo de adaptação é tão importante? Um dos pontos fortes desse desenvolvimento é a capacidade de integração do desktop com os demais dispositivos, principalmente com celulares, tevês e demais gadgets. Problemas como sincronia de tarefas, portabilidade dos arquivos e conectividade são alguns dos desafios que esse tipo de recurso visa solucionar. Um outro fato curioso é a melhoria geral de ferramentas como estas quando são usadas e testadas nas mais variadas márquinas e por muito mais usuários.

Sobre o sistema

A maioria dos usuários desconhece as possibilidades de instalação de sistemas operacionais (“dual boot”, “live cd”, “pendrive bootável”) e o Remix OS exige de nós um pouco dessas noções. Por isso ele nos impõem uma declaração de aceitação dos termos em que confirmamos que “somos desenvolvedores”. Até agora, ele foi disponibilizado em uma versão que roda a partir de um pendrive e seus requisitos são:

  • Pendrive com USB 3.0 (preferencialmente), armazenamento de pelo menos 8GB com velocidade de transferência de 20 Mb/s (também preferencialmente) e formatado em FAT32;
  • Computador com processador de 64 bits.

Essas são as recomendações que aparecem atualmente na página, onde a ausência da versão de 32 bits está sendo muito sentida. Alguns sites ainda publicam a informação de que ele suporta essa arquitetura e, outros, de que a Jide está considerando lançá-la posteriormente, mas não há download disponível para ela até o momento. Duas mudanças ocorreram desde o lançamento em 12 de janeiro: a possibilidade de download via torrent; e uma versão disponibilizada para EFI (eu ainda estou pesquisando o que ela significa). É possível que muitas novas opções venham a ser oferecidas na medida em que os desenvolvedores forem recebendo as contribuições dos usuários.

A instalação

Eu já testei três versões do Remix OS 2.0 e atualmente estou usando a 2ª oficial, de 14 de janeiro de 2016, em um computador Dell Vostro 1520, com 3 GB de memória e processador Intel Core 2 Duo, instalada em um HD Seagate através do aplicativo Unetbootin do Ubuntu. Da 1ª versão lançada no dia 12 para a 2ª do dia 14 não vi muita diferença.

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O download contempla a imagem (ISO) do sistema e um aplicativo executável do Windows para implantá-la em um pendrive “bootável”. Como uso uma distribuição Ubuntu/Linux precisei do Unetbootin para realizar essa tarefa, mas também executei a instalação com o Multisystem em outro HD, que ocorreu sem problemas. Para realizar a instalação siga os passos descritos no Pplware.

Alguns usuários estão relatando que o computador está reiniciando após a tela do boot, o que também aconteceu com um dos meus notebooks. Ainda não consegui a resposta definitiva sobre isso mas suponho que só será consertado com uma versão de 32 bits. Fora isso, os problemas estão mais relacionados aos requerimentos de hardware, ao boot via USB e a inabilidade dos usuários em realizar esse tipo de tarefa.

Remix OS em funcionamento

A primeira versão chegou à internet no início de janeiro de 2016, divulgada no Droidmen.com, site que mais publicou notícias sobre esse sistema até agora. Essa versão foi disponibilizada por um usuário chinês no Reddit e passou a ser compartilhada até que a oficial fosse lançada, em 12 de janeiro de 2016.

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A versão de testes já trazia vários aplicativos pré-instalados, entre eles, o Google Play, o pacote de escritório do Google e o Youtube. O que estava diretamente associado à ideia de “Posssibilidades Infinitas”, frase em destaque no site. Mas isso foi o que me levou ao primeiro susto quando terminei a instalação: a Jide havia retirado da versão de lançamento quase todos os aplicativos e, com eles, a própria loja do Google. Isso gerou uma sensação estranha de “o que eu vou fazer aqui?”. Então pensei: “é só inserir minha conta de usuário e… ”. Nada. Foi o que aconteceu, o botão “Adicionar conta” nas configurações fazia. Absolutamente nada. Então percebi que iria começar uma daquelas jornadas sem fim em busca de tutoriais. Encontrei no Liliputing.com: “Remix OS: Como instalar o Google Play”)

Coisas legais

Eu tive uma série de surpresas muito agradáveis ao descobrir o Remix OS. Ele está muito bem configurado para que você não sinta falta do touch dos celulares e tabletes. Como legado dos desktops, entre outras coisas, temos:

  • o botão direito, a rolagem e duplo clique do mouse;
  • as janelas redimensionáveis, arrastáveis e encerráveis;
  • a barra de tarefas, o menu de início;
  • a ethernet, o teclado com todas as funções, a impressora e o famosíssimo “Print Screen”

Já dos dispositivos móveis, entre muitas coisas, foram mantidos:

  • o botão de voltar em todos os aplicativos;
  • a barra de notificações interativa;
  • desinstalar aplicativos direto do menu de início;
  • compartilhar tudo o que se vê; e
  • e o controle fácil do uso de memória.

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Algumas dessas adaptações são expostas quase como troféus em no site da Jide, frutos do esforço de customização realizado no Android-x86. Quanto ao visual, a Jide impressionou a todos com a adaptação do Android para telas grandes, porém, o Remix OS vai muito além disso. Como a Jide diz ele também é um “Android reimaginado”. Foi necessária muita engenhosidade para realocar os recursos do celular de forma equilibrada com os que nós já conhecemos do desktop. E isso combinado a um visual elegante que é, inclusive, muito bem detalhado em sua página.

Os meus aplicativos que rodaram perfeitamente foram:

  • Google Chrome e Firefox;
  • Banco do Brasil;
  • Google Now;
  • Google Keep;
  • Google Drive;
  • Google Analytics;
  • Plex Media;
  • ES File Explorer;
  • Play Store;
  • Facebook;
  • Twitter;
  • Play Banca;
  • Snes9x EX+ (Super Nintendo);
  • Mupen64Plus (Nintendo 64);
  • Sixaxis Enabler (permite jogar com um controle de PS3 via cabo USB, sem necessidade de Root).

Coisas não legais

Instalar, configurar e usar o Remix OS 2.0 em um PC ainda é tarefa para curiosos (o bom é que existem muitos,  e eles só aumentam) e isso deve ser levado em consideração nesta etapa de publicização das experiências. Porém, é também nessa hora que devemos auxiliar um projeto como esse a crescer e beneficiar mais usuários.

Os principais aspectos negativos nesse lançamento foram a ausência da versão para arquiteturas de 32 bits e não poder instalar o sistema diretamente nos discos rígidos. Essas limitações impediram que muitos usuários pudessem experimentá-lo, ora pelas condições de hardware, ora pela inabilidade com esses procedimentos. Esse problema ainda acarretou a limitação de espaço em disco. Só podemos usar até 4GB compartilhados com o sistema, mesmo a partição do HD externo possuindo 10GB. Também não consegui migrar os aplicativos para outra partição. Em resposta a essas dificuldades é possível encontrar no fórum da XDA Developers um tutorial para instalar o Remix OS no HD interno e, ainda, rodá-lo como root.

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Outro fato intrigante foi chegar na hora de usar o sistema e ter que correr atrás do Google Services na internet. O próprio site da Jide indica o um tutorial externo para se realizar a tarefa. Esses, porém, foram os únicos problemas com o sistema em si com os quais esbarrei recorrentemente na internet. Os demais, que não devem ter destaque menor, referem-se aos aplicativos que não funcionaram bem ou nem funcionaram:

  • Youtube: resolução somente até 360p;
  • Google Fotos: na hora de visualizar as imagens em tela cheia o programa se encerra;
  • Flippboard – o conteúdo fica em uma tela preta e só aparece quando realizo as transições entre as postagens;
  • Pacote Office do Google – nenhum aplicativo abriu (Documentos, Planilhas e Slides).

Enfim, um bom começo

Bem, agora é preciso dizer que essa análise foi feita sobre um experiência muito recente e limitada frente a todos as possibilidades e recursos que um sistema como esses pode oferecer. Muito provavelmente nossa ansiedade irá mudar de direção quando algumas dessas dificuldades forem destravadas pela equipe de desenvolvimento. É importante ressaltar que esse é, sem dúvida, o uso mais proveitoso do Android fora dos celulares e tabletes, com impacto muito forte na usabilidade e produtividade dos desktops. Não é nenhuma coincidência ter apontado, muito recentemente, para a junção das plataformas Chrome OS e Android em função de um desenvolvimento mais consistente. Toda a euforia do lançamento deve, no entanto, se converter em vigilância pela melhoria da plataforma e na democratização de seu acesso a todos que querem ou precisam dela. Vida longa ao rebento!

Atualizando…

17-01-2016 – A compatibilidade com o hardware de meu computador é a causa de alguns dos problemas citados.

Obtendo e organizando os microdados do Censo Escolar

Nenhum dos grandes desafios da educação brasileira poderá ser encarado de forma eficaz se não conhecermos bem a realidade das escolas, dos educadores e, claro, dos estudantes em cada um dos municípios e localidades do país. Muits iniciativas governamentais e não-governamentais tem como objetivo acompanhamenhar o cenário educacional e, para todas elas, conhecer e usar os dados produzidos pelo Censo Escolar é fundamental para adquirir as informações necessárias para auxiliar e mobilizar as redes, instituições e seus atores. No sentido de ampliar o conhecimento sobre os dados do Censo Escolar começaremos nossa série de diálogos sobre bases educacionais desvendando a estrutura de seus microdados disponíveis publicamente.

O Censo Escolar é coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira – INEP e realizado através de parceria com os estados e municípios. Sua estrutura de coleta é imensa e envolve desde secretários escolares a equipes e técnicos nas secretarias de educação municipais e estaduais. Mesmo com todo este trabalho são praticamente inexistentes os canais públicos de acesso a informação sobre a estrutura e as formas de consulta às suas bases educacionais. O próprio INEP só disponibiliza alguma informação sobre o assunto nos arquivos que acompanham os microdados. Em seu site não há tutorial ou qualquer referência ao significado de cada uma das variáveis usadas nas bases, de modo que se possa democratizar a exploração dos dados, principalmente, entre aqueles que não são da área de gestão educacional.

Os Microdados do Censo Escolar, possuem informações que vão desde 1995 a 2014 e estão disponíveis em formatos compactados ZIP ou RAR para qualquer pessoa fazer seu download:

http://portal.inep.gov.br/basica-levantamentos-acessar

Pensando nos diversos interesses em consultar esses microdados, Educadata.org buscou organizar e compartilhar diferentes estratégias para fazê-lo, levando sempre em consideração que também são diversas as habilidades daqueles que precisam obter e fazer uso deles.

1. Formatos dos arquivos

O INEP já experimentou pelo menos dois formatos para disponibilizar os arquivos, sendo, principalmente, os mostrados abaixo:

  • Arquivos em formato CSV que podem ser abertos por editores de textos, planilhas e programas específicos de estatística (em 2014 por exemplo)
  • Arquivos em formato SAS e SPSS que podem ser abertos apenas por programas de estatística (em 2013 e anos anteriores por exemplo)

a) Arquivos CSV

Nos arquivos “csv” os dados estão, normalmente, separado por algum caractere delimitador. Os delimitadores mais usados são a vírgula, o ponto-e-vírgula e o pipe, por isso, fique atento quando os programas não identificarem automaticamente o delimitador, pois você deverá informá-lo manualmente. Também é comum usar a primeira linha como cabeçalho, ou seja, incluir o nome de cada campo nela. Esses arquivos podem ser abertos pelos editores de texto mais simples (gedit, write, scratch, bloco de notas etc.), por planilhas eletrônicas (Calc, Excel, Gnumeric etc.) e por quase todos os programas especializados em tratamento estatístico. Em 2014 o INEP utilizou o delmitador “|”, conhecido como pipe, e incluiu na primeira linha os nomes dos campos.

b) Arquivos SAS e SPS

Estes são formatos de arquivos próprios para serem abertos nos sistemas SAS e SPSS, softwares apropriados para tratamento estatístico dos microdados. Os dados, no entanto, são todos armazenados em um arquivo de formato “txt” que, sem delimitadores, necessitam dos arquivos “input” para que seus campos sejam interpretados. Apesar de serem apropriadamente arquivos de softwares específicos Educadata.org irá mostrar como convertê-los para “csv” usando apenas um terminal de comandos no Linux. Até 2013 este era o formato usado nos microdados do Censo Escolar.

2. Pastas e arquivos dos microdados

Nas bases de 2014 os dados estão compactados em formato “rar” e, dentro deles, estão os arquivos de mesmo nome em formato “csv”.

DADOS 1,4G
DOCENTES_CO.rar 11M
DOCENTES_NORDESTE.rar 40M
DOCENTES_NORTE.rar 13M
DOCENTES_SUDESTE.rar 58M
DOCENTES_SUL.rar 24M
ESCOLAS.rar 9,9M
MATRICULA_CO.rar 82M
MATRICULA_NORDESTE.rar 365M
MATRICULA_NORTE.rar 116M
MATRICULA_SUDESTE.rar 450M
MATRICULA_SUL.rar 143M
TURMAS.rar 32M
LEIA-ME 1,6M
Anexos – Microdados 2014.xlsx 708K
Filtros Educacenso 2014.pdf 76K
LEIA-ME 2014.pdf 322K
Nota_Tecnica_11-2014_Calculo_Divulgacao_Idade.pdf 323K

Na pasta “LEIA-ME” você encontrará muitas informações sobre como usar os microdados para reproduzir localmente a maioria das sinopses nacionais divulgadas pelo INEP.

Nos anos anteriores, como já dissemos, as pastas e os arquivos eram voltados para os sistemas SPSS e SAS, mas a distribuição dos arquivos compactados pelo menos desde 2011 (até onde eu fui) seguem uma estrutura:

  • Matrícula
  • Docente
  • Turma
  • Escola

3. Explorando as bases com software livre

Um dos maiores desafios ao trabalhar com microdados é, sem dúvida, o tamanho dos arquivos. Em 2014, por exemplo, os dados foram agrupados por região do Brasil, o que rendeu 4,8 GB para o arquivo com a matrícula da Região Sudeste. Tanto para aqueles que irão fazer pesquisas bem abrangentes isso não quanto para os que desejam fazer estudos mais localizados esses não tamanhos fáceis de se manipular. Mas mesmo antes de jogar tudo em um software de estatística ou de banco de dados vale a pena conferir algumas dicas de linhas de comando que podem ser muito úteis para visualizar e segmentar grandes bases.

Aplicativos que rodam a partir de linhas de comandos é um dos bons diferenciais das distribuições Linux e podem ser usados a partir de um terminal (aquela telinha quase sempre preta). Vamos às dicas:

a) Visualização

head -1 MATRICULA_NORDESTE.CSV

O comando acima exibe todos os itens do cabeçalho. Nos microdados de 2014 obtemos todos os nomes dos campos usados. Se quiser exibir uma amostra dos dados amplie a visualiação, por exemplo, para 10 linhas:

head -10 MATRICULA_NORDESTE.CSV

Resultado:

Captura de tela de 2015-10-25 21:09:52

Outros comandos muito poderosos para visualizar os dados com muita precisão são o “grep”, o “sed” e o “cut” os quais utilizaremos em outro momento.

b) Consulta

awk -F'|' '{if ($70 == 23) print}' MATRICULA_NORDESTE.CSV | head -5

Captura de tela de 2015-10-25 21:26:11

Com o comando acima obteremos a lista dos 5 primeiros registros de matrícula das escolas do Ceará (em outro momento detalharei todas as variáveis e tipos de valor usados nas bases). Mas pelo tamanho e importância, vale a pena explicar melhor esse comando:

awk Nome do programa usado.
-F’|’ O “-F” define o delimitador, no caso, o “pipe” que está entre aspas simples. Assim, os campos e valores serão o conteúdo entre um delimitador e outro.
‘{if ($70 == 23) print}’ Script da condição que, em nosso exemplo, verifica se no 70º campo está inserido o valor 23, ou seja, o código do Estado do Ceará. O “print” irá mostrar todo o conteúdo de cada linha em que esta condição for verdadeira.
| head -5 Limita em 5 o número de registros mostrados.

c) Extração

awk -F'|' '{if ($70 == 23) print}' MATRICULA_NORDESTE.CSV > ceara.csv

O comando acima é muito similar ao anterior mas agora passará todos os registros de matrícula de alunos de escolas cearenses para dentro do arquivo que será criado com o nome “ceara.csv”. Para ajustar os dados às suas necessidades você também pode selecionar somente os campos que irá usar, como no exemplo abaixo:

awk -F'|' '{if ($70 == 23) print $2";"$62";"$63";"$69";"$71";"$74}' MATRICULA_NORDESTE.CSV > matricula_idade.csv

O comando acima nos trará, na mesma ordem, “código de matrícula”, “código da modalidade de ensino”, “código da etapa de ensino” etc., de todos os alunos com registro de matrícula no estado do Ceará, e armazenará no arquivo “matricula_ceara.csv”. Com esses dados será possível reunir apenas as variáveis que importam para, por exemplo, calcular a matrícula do estado por municípios e por escola.

E o que mais vem por aí?

Bem, este é o primeiro de uma série de textos em que faremos a exploração das principais bases educacionais brasileiras como o Censo Escolar, o ENEM e o SAEB. Nesse percursos aprenderemos mais sobre como obter, organizar e tratá-las, além de produzir os relatórios e análises básicos que, inclusive, estarão disponíveis aqui no site. Fique com a gente!

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Publicado originalmente em: Educadata.org

O fim da era Atari e a indústria de games

No início dos anos 1990 ganhei o meu primeiro vídeo-game, um Supergame CCE compatível com o Atari. Nessa época os vídeo-games ainda eram o único divertimento eletrônico, o que não pode ser comparado a ganhar o primeiro computador, o primeiro celular ou o primeiro vídeo-game atualmente. Isso mudava completamente a sua vida, o modo como você se relacionava com os colegas e, claro, a maneira como você passava horas na frente da tv. A CCE, como muitas outras empresas, quase uma década depois da Atari levar para o buraco a indústria dos vídeo-games nos EUA, ainda vendia milhares de consoles em países como o Brasil, fazendo a alegria da meninada.

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Atari: Game Over

Mas eu não vim contar a minha história com os vídeo-games e sim recomendar o documentário Atari: Game Over, disponível na Netflix, que conta a incrível história do fim da companhia mais lucrativa da história dos vídeo-games e o caso (e lenda) emblemático do enterro de milhões de cartuchos do jogo E.T. The Extraterrestrial em 1983. O filme se concentra na saga de Joe Lewandowski, um antigo funcionário do aterro sanitário de Alamogordo, Novo México-EUA, onde poderiam ter sido enterradas toneladas de cartuchos e demais equipamentos da empresa. Apesar de seus estudos terem começado bem antes, a escavação foi liberada pelas autoridades locais apenas em 2012, com o patrocínio da Microsoft, que tinha a intenção de lançar o documentário para seus consoles Xbox (veja notícia da BBC). Paralelamente ao desenterro o documentário resgata a memória do ano fatídico para o criador do jogo E.T., Howard Scott Warshaw, para a Atari e para toda a indústria americana de vídeo-games. A participação de vários funcionários da empresa, de colecionadores e de fãs da lenda oferece uma boa visão de todo o processo que levam Joe, Warshaw e dezenas de curiosos ao aterro sanitário da pequena cidade.

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O “Caso”, a “Lenda” e a indústria dos vídeo-games

O caso refere-se à quebra da maior empresa de vídeo-games que já existiu. A lenda, no entanto, é apenas uma forma de retirar do modo de produção dos vídeo-games a culpa pela derrocada. Wharshaw tinha apenas 5 semanas para produzir o game e o fez, mas a Atari teve anos de lucros milionários às custas de jogos desenvolvidos por ele mesmo, como o sucesso Yar’s Revenge e Raiders of the Lost Ark. Algo dessa história deve ser usado para refletirmos sobre o atual estágio a que chegamos com a produção contemporânea de games. O sucesso dos jogos para celular, dos indie games como Minecraft e das novas formas de se divertir tocando instrumentos ou dançando, também são sinais de mudança importantes para o mercado que, atualmente, compete firmemente com as séries e o cinema. Para se ter uma ideia, em 1997, o game Final Fantasy VII já havia custado US$ 45 milhões em desenvolvimento e US$ 100 milhões de dólares em marketing, o que daria, em reais e atualmente, um custo total de  R$ 654 milhões. Destiny e GTA V lideram o ranking de games com custos de produção e de marketing mais elevados da história com, respectivamente, com R$ 1,5 bilhão e R$ 845 milhões. É certo que a sustentabilidade destes projetos é totalmente diferente mas é importante salientar que, como qualquer manifestação cultural, o nosso fascínio em torno dos vídeo-games se modificará, exigindo uma nova configuração desses investimentos. Algo sobre isso é muito bem explorado no documentário Indie Game: The Movie, também disponível na Netflix, que revela os bastidores da produção de jogos alternativos para consoles de ponta como XBox e Playstation. A sensibilidade, as transformações sócio-culturais e as mudanças na economia do século XXI são os elementos centrais de uma trama que envolve o gigantesco mercado da indústria cultural nos EUA e no mundo.

9202017

Mais informações sobre o documentário:
GameHall

Aspectos centrais da Educação Aberta

O desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação tem impactado todas as áreas da sociedade e, inevitavelmente, provocado novas e importantes reflexões acerca da produção e de reprodução das relações sociais. Neste cenário ganham força as mudanças na maneira como as pessoas acessam a informação, como produzem e compartilham o conhecimento, abrindo caminho para a ampliação das tensões e dilemas no contexto educacional. Essas mudanças relacionam-se diretamente com os questionamentos sobre os formatos de aprendizagem desenvolvidas pelas instituições escolares. Neste texto, reúno alguns aspectos relacionados ao movimento pela Educação Aberta, pelos quais podemos compreender as principais características que consolidam novos “arranjos” percebidos na educação.

Educação Aberta e o direito à educação

A Educação Aberta se refere, de modo geral, aos movimentos em defesa do direito à educação de qualidade para todos e se expressa através de diversas iniciativas que combinam novas formas de suporte, instrução, estímulo, interação, mediação e avaliação de aprendizagens. Apesar de podermos nos remeter às várias teorias educacionais criadas no século XX, que propuseram uma reconfiguração da relações educativas dentro e para além da escola, atualmente, o intenso uso das tecnologias da informação e comunicação está sendo decisivo para a transformação dessas relações. Em certo sentido, as experiências de educação aberta refletem uma crítica às inúmeras restrições de acesso e de desenvolvimento dos sujeitos no contexto educacional predominante nos modelos de escola e de universidade atuais. A educação básica no Brasil, por exemplo, sofre com o modelo de relacionamento intraescolar entre estudantes, professores e gestores, que não favorecem o engajamento estudantil. O ensino superior brasileiro de qualidade tem filtros extremamente elitistas para o acesso às suas vagas. Mas ambos também enfrentam a grande dificuldade de acesso e reprodução dos recursos educacionais elementares como livros e demais ferramentas de aprendizagem. Especialmente focados neste último desafio educadores e instituições de diversos países assinaram a “Declaração sobre Educação Aberta da Cidade do Cabo” (http://www.capetowndeclaration.org/):

“Esse movimento emergente de educação combina a tradição de partilha de boas idéias com colegas educadores e da cultura da Internet, marcada pela colaboração e interatividade. Esta metodologia de educação é construída sobre a crença de que todos devem ter a liberdade de usar, personalizar, melhorar e redistribuir os recursos educacionais, sem restrições. Educadores, estudantes e outras pessoas que partilham esta crença estão unindo-se em um esforço mundial para tornar a educação mais acessível e mais eficaz.”

O “aberto” na Educação Aberta

As relações educativas estão circunscritas na mesma dinâmica das demais relações sociais, políticas e econômicas que, claramente, sofrem os efeitos das novas formas de organização da sociedade, proporcionada pelos avanços dos meios tecnológicos de disseminação da informação e pela ampliação das possibilidades de vínculos comunicativos. Essas formas de organização utilizam, principalmente, a participação autônoma e colaborativa como elementos centrais do sucesso das relações que as mantém. Ao conjunto de condições que garantem a autonomia e colaboração dos sujeitos em quaisquer processos dá-se, comumente, o nome de “Aberto”. O mesmo termo está presente em outros movimentos como dos de “código aberto” (open source), “ciência aberta” (open science) e “dados abertos” (open data) e, todos eles mantém relação entre si na busca pelas livres condições de desenvolvimento dos sujeitos na sua área. A “abertura” significa, de modo geral, o acesso aos elementos básicos constituitvos dos processos e objetos em jogo nessas relações. No “código aberto” o acesso irrestrito aos softwares e aos seus códigos-fonte define a liberdade de usuários e programadores. Na “ciência aberta” o acesso irrestrito aos modelos, metodologias e resultados de experimentos científicos define as possibilidades de atuação dos pesquisadores. E mesmo ocorre com os “dados abertos” onde o acesso integral aos dados em seus formatos brutos define o modo como os governos e organizações civis podem atuar pela melhoria da sociedade. O “aberto” na educação caracteriza-se, essencialmente, pelo acesso irrestrito aos recursos e às experiências educativas em formatos adequados às condições de uso, tempo, espaço e, claro, aos aspectos pessoais de cada aprendiz.

Autonomia e Colaboração na Aprendizagem

Podemos identificar muitos elementos comuns nas ações de promoção da educação aberta, mas o principal é, sem dúvida, a promoção da autonomia de aprendizagem dos educandos. As propostas e os recursos são desenvolvidos considerando a participação ativa dos aprendizes. Aspectos como o tempo, a sequência e os conteúdos de aprendizagem são planejados para que coincidam com os anseios e as possibilidades dos sujeitos. Nesse cenário, predominam iniciativas como o OpenCurseWare (OCW), modelo criado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts-MIT, e os Massive Open Online Courses (MOOC), modelos que possuem o Coursera como um dos maiores representantes. Os OCW foram criados em 2002 pelo MIT como forma de disponibilizar todo o conteúdo, materiais e atividades desenvolvidos oficialmente em seus cursos de modo público para que sirvam de material de estudos para a sociedade em geral. Os MOOC são cursos online realizados em larga escala cujos envolvidos tem acesso aos materiais e experimentam dinâmicas diversificadas de aprendizagem. Uma iniciativa diferente e ousada também foi desenvolvida pela P2P University como uma forma de incentivar e democratizar a produção de cursos online, garantido a expansão das experiências educativas através da colaboração.

Os REA e a cultura da produção colaborativa

A manutenção da Educação Aberta depende da sustentabilidade dos sujeitos nos processos desenvolvidos. Uma das formas de garantir a continuidade do “aberto” nas propostas educativas e nos recursos produzidos é a definição clara das possibilidades de acesso ao modo como foram eles foram construídos, aos componentes básicos de que são formados para que, de forma geral, sirvam de matrizes para novas produções. Por isso a Educação Aberta se beneficia diretamente das novas formas de licenciamento de conteúdo, tendo como referência os Creative Coommons presentes como parte da fundamentação legal dos Recursos Educacionais Abertos (REA). Os Creative Commons são as formas de permitir que os demais educadores e educandos terão as reais condições para usar, reusar, remixar e reutilizar os materiais de aprendizagem em contextos diversoss. Os REA, portanto, são definidos a partir de um conjunto de características que cada produção e o licenciamento devem possuir, de modo que não interrompam o desenvolvimento contínuo da educação. Quando tratamos de materiais como softwares, por exemplo, é importante que se garanta o acesso ao seu código-fonte. Quanto lidamos com livros é importante que sejam garantidas as oportunidades de reprodução gráfica. Ao tratarmos de vídeos ou áudios entram em cena as condições para que sejam reproduzidos pela maioria dos players. Os autores é que determinam que formas de tratamento cada produção pode possuir, a partir das classificações a seguir (na Wikipedia):

  • Atribuição (BY): Os licenciados têm o direito de copiar, distribuir, exibir e executar a obra e fazer trabalhos derivados dela, conquanto que dêem créditos devidos ao autor ou licenciador, na maneira especificada por estes.

  • Uso Não comercial (NC): Os licenciados podem copiar, distribuir, exibir e executar a obra e fazer trabalhos derivados dela, desde que sejam para fins não-comerciais.

  • Não a obras derivadas (ND): Os licenciados podem copiar, distribuir, exibir e executar apenas cópias exatas da obra, não podendo criar derivações da mesma.

  • Compartilhamento pela mesma licença (SA): Os licenciados devem distribuir obras derivadas somente sob uma licença idêntica à que governa a obra original.

São por essas e outras características que o movimento de educação aberta torna-se cada vez mais relevante para auxiliar na modelagem de uma educação para as reais necessidades dos sujeitos e da sociedade de uma forma geral, valorizando as capacidades, a autonomia e as oportunidades de colaboração.