PNLD 2015: livros e objetos educacionais digitais


A gestão das tecnologias nas escolas públicas em 2015 viverá momentos de muita excitação com a chegada dos tão aguardados Livros Digitais adquiridos pelo Programa Nacional do Livro Didático-PNLD, do MEC. Os alunos trarão um sortido conjunto de recursos para uso complementar dentro e fora da escola, com o auxílio do professor ou de forma autônoma. Esta é mais uma oportunidade que o Ministério encontra para induzir mudanças na produção de obras didáticas no Brasil e na utilização das novas tecnologias na escola.

Os livros digitais do PNLD 2015

Apesar das múltiplas definições a concepção de livro digital para o MEC é muito simples. Basicamente o livro digital terá o mesmo conteúdo do livro impresso, inclusive a mesma paginação, mas deverá integrar recursos para a exibição áudios, vídeos e outros elmentos não imprimíveis. Para os recursos imprimíveis poderá produzir melhoramentos como zoom em imagens e interatividade nos gráficos e tabelas. Segundo o Edital de Convocação 01/2013 – CGPLI, que nos diz no subitem 4.2.2:

Os livros digitais deverão apresentar o conteúdo dos livros impressos correspondentes integrados a objetos educacionais digitais

Nesse sentido, os livros digitais se distinguiram de sua matriz, os livros impressos, pelos recursos que permitirão estudantes e professores avançar e recuar rapidamente em suas páginas, guiar-se por um menu, pesquisar palavras-chave ou fazer anotações e marcações. O certo é que alguma inovação caberá mais aos objetos educacionais digitais, cuja natureza poderá ser vídeo, imagem, áudio, texto, gráfico, tabela, tutorial, aplicação, mapa, jogo educacional, animação, infográfico, página web entre outros.

Como recursos integrados aos livros digitais, os Objetos Educacionais Digitais-OED também possuirão referência em seus respectivos livros impressos. Tal integração, creio, deve permitir que a narrativa da obra permaneça inalterada:

Nos livros impressos deverá haver, ainda que iconográfica, uma identificação visual dos objetos educacionais digitais que estão disponíveis nos livros digitais correspondentes”.

Aspectos técnicos e acesso aos livros digitais

Um dos pontos mais complicados dessa aquisição, certamente será o que se refere aos aspecto técnicos dessas obras. Já possuímos uma longa lista de formatos adotados pelas editoras e, certamente, nenhum deles estará totalmente em vantagem. Mas apesar de versar um pouco sobre isso o edital não é tão claro quanto a experiência de execução dos livros digitais. Em resumo, é um mistério completo para alunos, professores e gestores, o modo como se instalará ou se reproduzirá esses livros. Na letra do edital ficam apenas garantidos os fucionamentos quanto aos sistemas operacionais:

“Os livros digitais deverão ter, como requisito mínimo de padronização, acesso por multiplataformas e pelos principais sistemas operacionais, tais como Android 2.3 ou posteriores, IOS, Linux (ubuntu) e Windows 7 ou posteriores, para dispositivos como laptop, desktop e tablets.”

Parece que falta uma clareza quanto aos aplicativos: navegadores, leitores e demais componentes como plugins etc. O que não se tem dúvida é de que ficou sob responsabilidade das editoras proverem a utilização dos livros sem a necessidade de usar internet, com exceção do momento de fazer o download ou instalação online.

Outra grande incógnita gira em torno da utilização de nomes de usuário e senha pelos alunos e professores, pois isso também será gerenciado pelas editoras. Há que se fiscalizar rigorosamente esse processo tendo em vista que poderão ser solicitados dados inapropriados para realizar os cadastros.

Alguns desafios

Há muito o MEC e o FNDE vem buscando melhor o processo de avaliação, escolha e distribuição dos livros didáticos das escolas públicas, mas o contexto de utilização dos livros digitais é intensamente desafiador. Reflita comigo sob alguns questionamentos:

  • Quais os tipos de processo formativo apropriados para o contexto de utilização das obras digitais?
  • Como se dará o diálogo entre a escola e a editora para a aquisição ou suporte aos livros digitais?
  • Que condições de estrutura, técnicas e operacionais as escolas precisarão ter para viabilizar o direito de utilização dos livros pelos alunos e professores?

Esses desafios estão intimamente ligados aos demais desafios por que passa qualquer introdução de novas tecnologias nas escolas, ou seja, baterão na porta e na conta dos livros digitais as mesmas questões relativas à infraestrutura e à organização curricular da escola.

Conheça as demonstrações das editoras

Veja mais sobre o assunto

Edital PNLD 2015 – Ensino Médio
http://www.fnde.gov.br/arquivos/category/165-editais?download=8304:edital-pnld-2015-ensino-medio-03-07-2013

O PNLD e o reaproveitamento de conteúdos nas versões digitais dos livros didáticos
http://www.bytestypes.com.br/noticias/2040-artigo-qo-pnld-e-o-reaproveitamento-de-conteudos-nas-versoes-digitais-dos-livros-didaticos

Livro digital chega às escolas públicas em 2015
http://www.brasil.gov.br/educacao/2013/01/livro-digital-chega-as-escolas-publicas-em-2015

O PNLD e os objetos educacionais digitais
http://midia-dia-a-dia.ivoz.org.br/2013/04/22/o-pnld-2015-e-os-objetos-educacionais-digitais/

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